Eu e os pássaros morreremos!
Eu e eles somos felizes.
Eles, porque não sabem que morrem,
eu, porque sei, mas me esqueço disto.

Não é a evidência da morte que irrita:
O irritante é ter consciência dela.
O difícil, realmente, não é morrer,
mas saber que se há de morrer.

É por isso que fiz da minha vida
uma verdadeira obra de arte:
vivo sem ter esperanças
para ter a certeza
de que morrerei tranqüila.

Entretanto, sei que preciso viver
para finalizar projetos inacabados,
e os sonhos que alimento
também alimentam minh’alma
que é imortal e etérea.

O alimento do corpo
pode alimentar a alma,
mas nada melhor que nutrir-se
da sabedoria do amor que inspira
os pássaros e toda a natureza humanas.

Sê feliz por uma vida, que seja
longa, breve, alegre, triste,
isso não importa...
Mas não a faça qual tabula rasa,
pois precisamos saber apagar
nossos erros e aprender com eles.

E aqui estou a escrever
sobre aprender a morrer,
pois viver é uma arte
para quem resolveu nascer,
e na grande arte de saber viver
mister é saber morrer.


© Por Rosana Madjarof – 27/02/2010 – 20:25 h. – Direitos Autorais Reservados